Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus… Alguem da Terra por aí?
Toda noite, antes de dormir, independente do fato de estar morrendo de sono ou não, eu leio alguma coisa. Faço isso por necessidade, então talvez seja esse meu vício. De toda forma, ao terminar “O Dia do Curinga” (Mesmo escritor de “O Mundo de Sophia”), fiquei totalmente desamparada ao ver que não tinha preparado nenhum outro livro para ler. Geralmente eu pego algum da Marian Keyes para reler, mas como não tem muito tempo desde que eu li o “Los Angeles” (Ultimo publicado na bosta do Brasil), achei melhor pegar outra coisa. Então recorri a “Bridget Jones: No Limite da Razão”, da Helen FIelding, livro este que eu li quando estava no 8ª série e levava para a sala de aula. Engraçado que até encontrei trechos que eu mesma sublinhei no livro para disfarçar o fato de estar lendo outra coisa durante a aula. Ou seja: A Professora dizia “Sublinhem tal parte em tal livro”, e eu sublinhava no meu, pra não dar na cara que eu era a unica a não sublinhar.
Voltando ao assunto… ao começar a reler, lembrei do que me irritou tanto nesse livro: As personagens principais (mulheres solteironas com mais de 35 anos que entendem sobre homens tanto quanto uma unha encravada entende sobre floricultura) têm como regras tudo o que é ditado por livros de auto-ajuda. Por exemplo: Ocorreu um mal entendido gigante (e planejado por terceiros) entre Bridget Jones e o namorado dela, o Mark Darcy. Eles foram convidados a passar um fim de semana na casa da Rebecca, que é uma das “amigas” falsas da Bridget,e dá encima descaradamente do Mark. Chegando lá, a Rebecca toda hora colocava a Bridget para conversar com outros homens, e ficava puxando o Mark toda pra mostrar a casa ou ajudar em alguma coisa. Daí a Bridget fica amiga do sobrinho da Rebecca, que extremamente bêbado, vai pra cima dela. E é OBVIO que a Rebecca tinha que aparecer com o Mark bem na hora na sala. Aí quando a Bridget pergunta pro cara porque ele fez isso, ele diz “Mas… a Rebecca me disse que você gostou de mim, que não tinha coragem de tomar a iniciativa e que o Mark disse pra ela que vocês estão em processo de rompimento”.
Ou seja: Ao invés de simplesmente contar tudo isso pro Mark, ela fica calada, em casa, esperando ele telefonar (isso porque as amigas não deixam ela telefonar). Então, recorrem a livros de auto-ajudam, que afirmam que o homem é um “elástico marciano”, ou seja, ele vai e volta quando bem entender, e que “Quanto mais um homem gosta da mulher,mais ele vai evitar se envolver com ela” (isso segundo Marte e Vênus em Namoro). Daí quando finalmente o Mark liga pra tentar conversar sobre o assunto, a Bridget o esnoba, numa tentativa de mostrar que não tá nem aí, que é superior (o livro disso que os homens só respeitam as mulheres inalcançáveis). Resultado: Eles terminam e o Mark dorme com a Rebecca. E a Bridget passa o resto dos dias se perguntando porque ela tratou ele assim.
Cara, sério… Pra que tudo isso? Pra quê tantos joguinhos, se uma simples conversa iria economizar tempo e energia? Tudo isso só pra afimar uma postura do tipo “Homens são os caçadores, enquanto as mulheres ficam em casa esperando a boa vontade alheia”? E será que pelo menos alguem não poderia lançar um livro de auto-ajuda do tipo “Como resolver as coisas na hora“, ou “Conversando com a pessoa que você gosta“, ou até mesmo “Diga não: Um guia para evitar livros de auto-ajuda em 5 passos” ? Porque fala sério… vi um livro que chama “Como agradar o seu homem divorciado“. Dá pra ser mais específico que isso?
Agora mudando um pouco desse assunto besta… Ví hoje um clipe que me instigou um pouco. É da música do Queens of The Stone Age – No One Knows. O título já me intrigou um pouco, pois me pareceu uma referência de outra música deles, que chama The Lost Art of Keeping a Secret, cujo refrão prega: “Whatever you do, don’t tell anyone” (Faça o que for, não conte a ninguem). Enfim, no clipe mostra os caras da banda (incluindo o Dave Growl, vocalista do Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana) dirigindo um carro na estrada, de noite, quando acontece aquela cena super clichê de filme de suspense/terror/que merda: Brota um veado (sim, macho da corsa) na estrada, e eles o atropelam. Nos filmes, geralmente quando eles vão ver o veado, ou descobrem um cara no lugar, ou um cara suspeito entra no carro e ninguem vê, ou não tem ninguem no lugar, e eles vão procurar o veado e blablabla. No clipe, o veado levanta, dá porrada em todo mundo e amarra o vocalista no carro. Ou seja: FINALMENTE, o próprio veado é o vilão! Nada de pessoas feias com ganchos no lugar de partes do corpo decepadas!
Quem quiser conferir, eis o link do youtube.
Como eu estou absolutamente sem nada pra fazer, já que não recebi do ortopedista a minha Carta de Alforria, resolvi aproveitar alguns 15 minutos livres para ler o seu blog, o que me trouxe imensa satisfação… Acho que sou um pouco voyeur, pois adoro observar o que se passa nas profundezas das mentes humanas.
Achei bastante pertinente os comentários acerca dos livros de “auto-ajuda”, os quais, no final das contas, se limitam apenas a expressar o senso comum que prevalece em 98% da sociedade… E é por isso que hoje se tornou tão complicado encontrar uma pessoa com quem se possa manter um diálogo de boa qualidade. Estão todos nivelados por baixo, essa é a realidade…
Não vou cometer a prepotência de me ousar a afirmar que faço parte do seleto grupo dos 2% que estão acima da média. Muito pelo contrário, considero-me bastante normalzinho… Entretanto, a questão que entra em voga aqui é o senso crítico, que sempre procurei desenvolver. E que você, dona Carolzinha, tem-no apuradíssimo.
Um beijo.
“Diga não: Um guia para evitar livros de auto-ajuda em 5 passos”, ganhou de todos. Super revoltado e engraçado, mas ainda sim a verdade. Os livros de auto-ajudam, podiam se ajudar ou pelo menos se voltar contra seus autores e matar eles (ainda estou com a loucura do Coringa na cabeça).
Sobre os joguinhos. Por mais que seja idiota e patético, fazer joguinhos em relacionamentos, todo mundo faz isso. É uma forma de ser egoísta e não mostrar o seu lado fraco. Todos nos fazemos isso, de relacionamentos familiares à amoros. Vai saber, as vezes “fazer charme” (isso no mal sentido), está incluso no pacote da humanidade.
“Whatever you do, don’t tell anyone”, realmente.
Carol, entenda uma coisa. Veado é veado, e ‘viado é ‘viado. Não precisa explicar não. E realmente que viado do mal, ops! quer dizer, que veado do mal.